O termo doença holandesa ou “maldição dos recursos naturais” se refere à relação entre a
exploração de recursos naturais e o declínio do setor industrial. Em 1977 a revista “The
Economist” utilizou o termo para descrever o processo de declínio pelo qual passava o setor
industrial na Holanda após a descoberta de grande fonte de gás natural. Com o início da
exploração, a Holanda passou a exportar gás natural em grandes proporções, o que provocou
uma maciça entrada de divisas decorrente de suas receitas de exportação. O efeito da entrada
de moeda estrangeira foi a forte valorização de sua moeda local (na época, o florim). A
valorização cambial atingiu de maneira direta o setor industrial, afetando sua competitividade
externa, estimulando as importações, o que levou a um processo de desindustrialização.
No Brasil, a preocupação com este fenômeno vem surgindo com o crescimento nas
exportações de commodities e mais recentemente com a possibilidade de exploração e
exportação de biocombustíveis, principalmente o etanol. Além disso, outro agravante é a
descoberta de fontes de petróleo na camada pré-sal, que poderá levar o Brasil a ocupar o grupo
dos maiores exploradores mundiais do produto. O crescimento das exportações de
commodities e suas perspectivas futuras e a conseqüente valorização do real já começa a ter
efeitos sobre a indústria brasileira através da perda de competitividade do setor no mercado
externo.
Recorte do artigo de Geraldo Lopes de Souza Júnior, para ler na integra clique aqui.
Comentário: Desde a descoberta do pré-sal o termo "doença holandesa" passou a ser bem citado em textos e palestras pelo país e de certa forma chamou a atenção dos economistas mais à esquerda. Isso porque estes apresentam uma visão mais progressista e acreditam que para evitarmos que isso ocorra no Brasil é necessário investir e defender as industrias nacionais; usar os recursos do pré-sal para desenvolver pesquisas que aumentem a produtividade da indústrias nacionais.
A China que já vinha buscando novos mercados desde que a crise estourou nos EUA e com isso diminuiu as exportações chinesas para lá, agora com a crise Européia, faz com que a hipótese da doença holandesa tornou-se mais ameaçadora para o Brasil. Isso porque os produtos manufaturados brasileiros acabam perdendo espaço e competitividade no mercado internacional, no entanto as commodities continuam ganhando pois a China mantém este mercado aquecido. Os recursos naturais são limitados e uma hora o país pode ter que pagar altos custos ambientais e sofrer com uma drástica redução de suas exportações. A questão não é de curto prazo, mas calcula-se em torno de 40 anos o petróleo não mais existirá em quantidades suficientes para suprir as necessidades da humanidade. Portanto, assim como dito anteriormente, é fundamental que os recursos do pré-sal sejam utilizados para promover o desenvolvimento da indústria nacional.
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